20 de junho de 2017

Resenha: Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver


Reprodução: Google

Precisamos Falar Sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Minha classificação: 
(5/5+favorito)
Kevin é um adolescente que está prestes a completar 16 anos, porém, três dias antes de seu aniversário ele decide matar oito colegas de classe, uma professora e um funcionário da escola. Após ser preso por esse ato, a sua mãe Eva Khatchadourian através de uma narrativa em primeira pessoa nos conta sobre a vida e convivência da sua família, desde a sua decisão em ser mãe pela primeira vez até o momento em que seu filho mais velho ficou conhecido como um sociopata.

Eva nunca quis ser mãe. Dona de uma empresa especializada em folhetos que buscavam divulgar os restaurantes e as hospedagens mais baratas ao redor do mundo, Eva era quem viajava para todos os países atrás de informações para o seu trabalho. Suas viagens pelo mundo e o marido Franklin eram o que havia de mais importante em sua vida, e só isso bastava para se sentir completa e feliz.

Porém, Franklin queria ser pai, e imaginava que com um filho em casa faria com que Eva desistisse de suas viagens e se dedicasse exclusivamente a família. Mesmo depois de muito relutar, ela acaba por concordar com a ideia de ser mãe e imagina que isso fará com que o marido não a abandone nunca, então fica grávida de seu primogênito, o complicado Kevin.

Kevin desde pequeno nunca se relacionou bem com a mãe, ao contrário de sua relação com o pai que sempre foi carinhosa e calorosa. Os dois não suportavam a presença um do outro e quase nunca conseguiam ter uma conversa onde Kevin não rebaixasse a mãe ou destorcesse suas palavras. Era como se Kevin pressentisse desde quando estava na barriga de que não era bem vindo para Eva. A relação entre mãe e filho ficava mais conturbada ao passo de que o menino ia crescendo e se tornando quase um homem.

Depois de alguns anos, Eva e Franklin acabam tendo um segundo filho, a pequena Celia, uma garota adorável e que nutre uma relação de muito afeto com a mãe. Um tipo de "experimento" que Eva faz para ter a certeza de que Kevin é diferente das demais crianças. Tanto antes como depois do nascimento de Celia, ocorrem acontecimentos desastrosos e trágicos, no qual o Kevin é visto como o culpado de todos aos olhos da mãe. Fica ao critério dos leitores decidirem se realmente foi culpa do Kevin ou apenas uma forma de implicância da parte de Eva.

A narração é em primeira pessoa e feita por Eva, que conta com detalhes cada etapa da vida do Kevin, desde o nascimento até o presente momento, no qual ele se encontra preso e prestes a completar 18 anos. A história é pesada, lenta e bastante descritiva. Se você já é mãe, vai sentir ainda mais o impacto das palavras de Eva, e digo isso de uma forma não tão positiva. A personagem deixa claro em todos os momentos que o filho não foi desejado por ela, e que por isso acaba por ver em Kevin todos os defeitos que talvez ele nem tenha.

Minha opinião
Que livro é esse, minha gente? Ufa! Quando terminei a leitura estava sem fôlego, sem reação, apenas querendo deitar no chão e chorar sem parar. Eu já havia assistido ao filme uns anos antes, mas não lembrava daquele final, e nossa, me impactou de uma maneira tão extrema que eu me senti mal até chegar na última página.
Uma história que divide tantas opiniões sobre a mente psicótica do Kevin, que acabei me enchendo de teorias. Será mesmo que o Kevin já nasceu com uma mente sociopata ou será que a mãe dele é a principal razão para isso? Seu pensamento psicopata resultou de uma mãe fria, desatenciosa e que dizia para ele desde que estava na barriga de que ele não era bem vindo por ela? A minha opinião é a seguinte (e pode ser diferente da sua): para mim, o Kevin já sentia quando estava na barriga que a mãe não queria tê-lo, e que aquele processo de gravidez era como algo obrigatório para ela, algo que não trazia felicidade e muito menos paz. Ao meu ver, o Kevin cresceu sem o amor da mãe e isso fez com que ele desenvolvesse uma mente fria e solitária. Queria deixar claro que não sou psicologa e nem faço esse curso, e muito menos entendo de mente humana ou serial killers, porém essa é a minha visão, e esses sentimentos da Eva só me deixaram mais insegura em relação a maternidade, e direi o porquê.
Eu tenho os mesmos pensamentos que a Eva tinha antes de engravidar pela primeira vez. Eu tenho medo de ter um bebê e não conseguir passar todo o carinho e amor que ele irá precisar. Quando eu digo que não gosto de crianças sempre tem alguém para dizer que esse meu pensamento irá mudar quando eu tiver a minha, e isso era o que a própria Eva escutava. Ser responsável por alguém, um ser tão pequeno e indefeso, eu me sinto tão insegura quanto a Eva se sentia. E assim como ela, eu também tenho medo de chegar a hora do nascimento e eu não sentir aquele grande amor que todos falam. Esses sentimentos me deixaram mais conectada com a história e me fizeram entrar de cabeça nos personagens. Eu me senti na pele da Eva e muitas vezes eu me colocava no seu lugar: e se isso fosse comigo?
Por mais que eu ache que essa falta de amor materno tenha influenciado o pessoal do Kevin, não acredito que a mãe tivesse alguma culpa no assassinato do filho. Afinal, como uma personagem diz em uma determinada parte da história, sempre culpam a mãe pelo ato do filho, nunca lembram que por trás de uma criança também existe um pai, e que nenhum dos dois é propriamente culpado pelas ações dos filhos. Foi algo também que tocou no meu interior e me fez refletir sobre certos pensamentos que eu nutria.
Provavelmente eu poderia falar sobre esse livro por horas a fio, mas vou me policiar a não descrever cada sentimento que tive durante a leitura, pois se não esse post irá se estender mais do que o habitual. Quero dizer que eu gostei muito da leitura, tanto que virou favorito, e que deixo-a como indicação para todos que gostam de um ótimo drama psicológico e de histórias mais profundas. Talvez não mude a sua opinião sobre determinado assunto ou não te toque como me tocou, mas acredito que fará a diferença entre as suas leituras, e que você jamais se esquecerá do Kevin.

Deixo também a adaptação como recomendação, tanto para aqueles que já leram o livro como também para aqueles que preferem se aventurar nas telas. Ezra Miller, assim como os atores miris, está ótimo no papel de Kevin e transmiti perfeitamente o olhar frio de sociopata do personagem. Tilda Swinton, uma das minhas atrizes preferidas, está maravilhosa como Eva, nos passando todo o sofrimento e agonia de uma mãe, tanto fisicamente como também mentalmente. É um filme espetacular, que mesmo tendo os seus defeitos (pois, assim como outras adaptações, "corta" algumas partes essenciais do livro) se ressalta através da sua fotografia e atuações.

16 de junho de 2017

Eu joguei: Life Is Strange

Reprodução: Google
Olá leitores!
Na semana passada eu finalizei um jogo que mexeu bastante com as minhas emoções e que, automaticamente, entrou para os favoritos da minha vida. No começo o game pode parecer ser apenas uma história fofa que mescla amizade com viagem no tempo, porém, por trás da protagonista carismática e dos personagens secundários há muitos assuntos pesados a serem explorados, como suicídio, bullying e assédio.

O jogo é dividido por episódios, contendo cinco ao todo. Life Is Strange é um game onde suas ações resultam no rumo da sua história, então, cuidado com o que você fará. Admito que eu tomei algumas semanas como intervalo entre os episódios, porque cada resultado de nossas ações resulta em um baque gigantesco no final dos episódios, e em alguns momentos eu realmente me senti muito mal, daquele nível de chorar e não conseguir parar. Por isso, um aviso: esse jogo pode ter gatilhos, então, se você já sofreu e/ou não se sente bem ao acompanhar uma história que aborda tais assuntos, não jogue.

Reprodução: Google
A história
Maxine Caulfield, mais conhecida como Max, após cinco anos morando longe da sua cidade natal volta para Arcadia Bay, onde começa o curso de fotografia em Blackwell Academy. Durante uma aula do professor Mark Jefferson, Max adormece e tem a visão de um tornado destruindo Arcadia Bay dali há alguns dias.
Pensando que foi apenas um sonho, Max segue o seu cotidiano normalmente, e ao terminar a aula decide ir ao banheiro para se recuperar do tal sonho. Depois de fotografar uma borboleta azul no canto do banheiro, Nathan Prescott entra nervoso no local sem perceber a presença de Max. Segundos depois uma garota desconhecida de cabelo azul também entra no banheiro e discute com Nathan. O garoto saca uma arma do bolso e atira na garota, mas, quando Max tenta impedi-lo ela automaticamente volta no tempo e desperta no momento em que estava na sala de aula.
Percebendo que os diálogos e questionamentos são os mesmos que ela presenciou há alguns minutos, Max percebe que voltou no tempo e que através desse poder poderá salvar a garota de cabelo azul e descobrir mais sobre a sua visão do fim de Arcadia Bay, decidindo assim salvar ambos.

Os personagens
Não tem como você não se sentir conectado ou até mesmo não se identificar com algum dos personagens. Eles são sinceros e envolventes, e cada emoção e/ou diálogo que presenciamos durante a história nos toca de forma profunda e semelhante. São bem construídos e fáceis de se apegar.
A Max evolui bastante durante a história, se transformando de menina, até um pouco inocente e boba, em mulher, com uma cabeça consciente, madura e cheia de responsabilidade e peso em seus ombros. Nós jogadores crescemos junto com ela e assim como a personagem também somos afetados a cada decisão que tomamos, sendo muitas vezes inevitável que não haja um arrependimento depois.
A Chloe também é uma personagem tocante e cheia de problemas pessoais que vamos descobrindo aos poucos. Para alguns ela poderá ser vista como problemática ou até mesmo como alguém que quer chamar a atenção, mas, acredito que a Chloe é muito mais do que isso, e vem justamente para completar a Max e criar uma ligação conosco. Admito que entre todos os personagens, a Chloe foi a minha preferida e a que me identifiquei. Ela protagonizou as cenas que mais me fizeram chorar e me deixaram com um peso na consciência.
Quanto aos outros personagens citarei o Warren, amigo da Max, que é divertido e carismático; a Kate, que é meiga, porém, distante, dando vontade de abraça-la e nunca largar; a Victoria e o Nathan, os populares da faculdade (e possíveis personagens odiados por você); a Joyce e o David, respectivamente a mãe e o padrasto da Chloe; Frank, o traficante da cidade; tendo entre outros alguns profissionais que trabalham na Blackwell Academy.

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Uma notícia boa para os fãs é que a continuação de Life Is Strange foi confirmada há algumas semanas! E na E3 de domingo saiu até trailer, clica aqui para assistir e gritar de felicidade comigo. 

Sabe quando você lê um livro tão bom que não consegue se imaginar lendo um tão bom quanto, e então acaba ficando com aquela maldita ressaca literária? Isso aconteceu comigo ao terminar Life is Strange, mas acredito que de uma forma boa. Eu me apeguei muito aos personagens e sofri junto com cada um deles, até os mais improváveis. A história me tocou, e mesmo eu tendo me sentido mal em certos momentos foi uma história que eu precisava naquele momento e que só agregou pensamentos reflexivos na minha cabeça. É tão difícil tratar de assuntos como bullying, abuso (tanto físico como mental) e suicídio, porém, Life is Strange traz tudo isso de forma direta e reflexiva, sendo praticamente um tapa na nossa cara e passando aquela famosa mensagem que muitas vezes não damos importância: "ei, você não é o único com problemas, por que não olha para o amiguinho do lado e ajuda-o ao invés de só reprimi-lo mais?"

Esse game automaticamente entrou para os meus preferidos e me trouxe muita coisa para pensar e mudar na minha vida. Como é um jogo com final alternativo e com cenas diferentes dependendo das suas decisões, acaba sendo uma história "fácil" de embarcar novamente e de sempre conhecer algo novo. Pretendo "repetir a dose" mais vezes, mas, antes preciso me recuperar desse baque da primeira vez. É um jogo que eu recomendo de olhos fechados e que todo mundo deveria jogar pelo menos uma vez na vida. Claro que eu não recomendo para quem poderá sentir-se mal e/ou que possa servir como gatilho, como citei logo no começo do post, porém, para os demais eu deixo aqui a minha recomendação e peço para você ir agora mesmo jogá-lo. Porque todas nós temos um pouco da Max e da Chloe dentro de nós, e precisamos saber como balanceá-las da maneira correta.

Mas, fica aqui um questionamento: se você, assim como a Max, pudesse ter o poder de voltar no tempo o quanto você mudaria as suas ações depois de ver os resultados?
Agora me contem: vocês já jogaram Life is Strange? Se acabaram de chorar assim como eu? Ou têm vontade de jogar? Preciso muito falar sobre as minhas escolhas com alguém, principalmente sobre o meu final, que me deixou em pedaços. Então, vamos bater um papo nos comentários? Um beijo e até a próxima.

9 de junho de 2017

Resenha: Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca - Camila Fremder e Jana Rosa


Reprodução: Google


Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca
Autoras: Camila Fremder e Jana Rosa
Editora: Agir
Ano: 2013
Minha classificação:  (2/5)
Misturando humor com dicas no estilo de auto ajuda, as autoras Camila e Jana constroem 30 ensinamentos para ajudar o leitor a contornar (ou evitar) aquelas situações vergonhas que todos passam ao menos uma vez na vida, incluindo aquelas situações famosas como conviver com um amigo que fede, viajar de avião sem ter que continuar uma conversa indesejada com a pessoa do assento ao lado ou até mesmo conviver com aquela tatuagem que você fez na época da adolescência e agora não suporta nem olhar.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
As autoras tentam através de situações cotidianas despertar no leitor a parte divertida de tais tragédias. Elas criam ensinamentos para mostrar ao leitor como se deve fugir desses momentos inoportunos e como se deve agir em outros. Não é um livro de auto-ajuda como os demais, pois traz uma proposta diferente com o intuito de mostrar que estamos dando valor à algo que achamos tão necessário, mas, que muitas vezes não é. Há muita crítica por trás das piadas, e esse poderia ser o ponto chave da obra.

Este livro é recomendado para todas as idades, tendo uma leitura que flui de maneira rápida e divertida (para alguns). É aquele tipo de livro que você poderá ler em qualquer ocasião, seja dentro de um ônibus, enquanto espera ser chamada na consulta ou até mesmo para evitar que um desconhecido puxe assunto com você. E claro, não podemos esquecer que a cada ensinamento há junto um desenho que ilustra o começo do capítulo.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
Minha opinião
Talvez essa tenha sido a resenha mais difícil de se fazer, já que não gostei nada do livro. Acabei classificando com duas estrelas, pois, admito que devo ter dado umas duas ou três risadas durante a leitura e o último ensinamento realmente fala de algo importante e que poderá ser levado para a vida. O ensinamento 30, esse da foto acima, foi o único ponto positivo da leitura, já que dissertam sobre a falsidade nas redes sociais e a "felicidade" exposta através de uma foto ou status, a necessidade de mostrar a sua vida para pessoas que às vezes você desconhece ou nem tem mais tanto contato. Tirando isso, o resto trouxe uma experiência ruim para mim.
Eu peguei esse livro justamente porque achei que seria uma leitura leve e divertida, e que traria muitas risadas em um momento tão intenso pelo qual estou passando, que é o TCC. Porém, me enganei bastante e acabei só passando raiva com a leitura. 
Eu comprei o livro há uns 3 anos, quando eu tinha uma cabeça totalmente diferente da que tenho agora, então, imagino que se eu tivesse lido logo depois da compra teria sido uma experiência totalmente diferente, e eu poderia até mesmo ter amado o livro. Mas, atualmente tenho 21 anos, sou feminista e piadinhas gordofóbicas mexendo com a auto estima da mulher (que são muito presentes) não fazem eu me sentir confortável. Esse foi o pior ponto do livro: as piadas. Sempre enaltecendo as mulheres magras e colocando para baixo aquelas com um peso acima do "padrão", ficando bem claro que as gordas não são aceitas e que para se ter uma vida de sucesso e um relacionamento duradouro você deve ser magra (WHAT?).
Outra piada que me incomodou foi o jeito que as autoras colocaram as mulheres umas contras as outras. Em um dos ensinamentos somos "influenciadas" a ser paranoica, insegura e ciumenta ao extremo. É descrito como fazer para saber tudo sobre a vida do namorado e até mesmo da ex do cara, deixando claro que se alguém terminou com o homem é porque ele esconde algum defeito imensurável e impossível de se aturar. Mas, afinal, quem não tem defeitos? E relacionamentos não podem acabar simplesmente porque as duas pessoas não deram certo? Realmente tem que haver um motivo grandioso para isso acontecer?
Chega a ser surreal quando "ensinam" a como fazer o seu namorado se apaixonar novamente pela ex. E sim, você não está lendo errado. Elas mostram passo-a-passo como arrumar uma nova namorada para o seu parceiro. Eu ria friamente, mas no fundo ficava bastante preocupada com que algum leitor pudesse achar isso totalmente normal e saudávelEntão, por favor, vamos refletir sobre os nossos atos e pensar antes de dar uma passo que poderá mudar tudo negativamente.
Eu poderia falar muito mais sobre o que achei desse livro, e seriam coisas muito negativas. Mas, acredito que o mais importante foi mencionado e que expressei de forma não agressiva a minha opinião. Não estou dizendo para ninguém ler esse livro, pelo o contrário, você pode ler e achar as piadas as mais engraçadas que já viu, só peço para tomar cuidado com essas ideias mascaradas de piadas. Não é sadio e muito menos engraçado.

6 de junho de 2017

#12mesesdePoe: O Gato Preto + O Corvo

Reprodução: Google


O Gato Preto
Minha classificação:  (5/5)

O Corvo
Minha classificação:  (5/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto O Gato Preto
O narrador-personagem é um homem que adora animais. Ele e a esposa vivem cercados de alguns: pássaros, peixes dourados, coelhos, cães e até mesmo um gato preto. O gato preto era o xodó do homem, os dois compartilhavam de um carinho imenso, sendo o gato um "perseguidor" de seu dono, pois para todo o lado que o homem seguia o animal ia atrás à procura de carinho.

Mas, foi chegando um tempo em que o homem foi se transformando em alguém frio, de pouco temperamento e que começou a se afundar na bebida. Não se importava mais com os animais que um dia tanto amou, e chegou até mesmo a começar a passar essa frieza para a relação que mantinha com a esposa. De todos os animais, o gato preto foi o que se sentiu mais afetado por essa falta de afeto do dono, e mesmo sentindo essa frieza o pobre animal insistia em persegui-lo à procura de carinho. Até que um dia, o narrador jogou toda a sua raiva em cima do gato e arrancou-lhe um olho. Tendo dias depois enforcado o pobre animal na parte de trás da casa.

Misteriosamente, a casa em que morava (e que enforcou o pobre animal) pegou fogo durante a noite quando ele e sua esposa estavam dormindo, porém, ambos conseguiram se salvar do incêndio. Assim que se mudou para um lugar novo, adotou um novo gato preto que encontrou no bar que frequentava. Logo depois percebeu que o gato era muito semelhante aquele que havia matado, e mesmo que às vezes sentisse uma vontade enorme de repetir o ato, não fazia por causa da lembrança que aquilo lhe trazia. Como se o incêndio não bastasse, outras coisas estranhas começaram a acontecer ao homem, coisas que ele não imaginaria.

Logo no começo do conto é revelado que o narrador está escrevendo a sua história enquanto espera por sua sentença de morte, nos revelando assim que o homem cometeu algum ato terrível, que nos é revelado com mais detalhes durante a narração. Edgar Allan Poe, mais uma vez, utiliza do mistério e da aflição para manter os seus leitores curiosos durante a narrativa, fazendo isso com maestria e ganhando ótimos resultados. O final é de enlouquecer, assim como aconteceu com o próprio narrador.

Poema O Corvo
Após perder sua amada Lenore, o eu-lírico disserta sobre a tristeza e solidão que a falta da mulher traz para a sua vida. Em uma noite, ao ouvir um barulho na porta, o homem é surpreendido pela entrada de um corvo em sua casa e fica ainda mais surpreso ao indagar o animal e ser respondido pelo próprio. A partir daí, o homem e o corvo começam uma conversa, a qual o animal apenas responde "Nunca mais" a todas as perguntas, trazendo um significado maior do que pode parecer.

Assim como eu disse em algumas outras resenhas sobre os poemas do Poe, irei repetir novamente aqui: que poema mais belo! O poema O Corvo é o mais conhecido do autor, tendo uma repercussão gigantesca no universo literário. A escrita é um pouco rebuscada, e dependendo da tradução a leitura poderá ser complicada e de difícil entendimento. Porém, é um poema que deve ser lido e apreciado. Uma leitura obrigatória para os fãs do Edgar Allan Poe e do gênero terror.

Para aqueles que entendem inglês, deixo aqui a leitura do poema feito pelo ator Christopher Lee e pelo autor Neil Gaiman, ambas excelentes.

Minha opinião
Sobre o conto:
O Gato Preto é uma das histórias que mais gosto do Poe. O mistério e o horror são bem frequentes nesse conto, e esses elementos sempre me chamam bastante atenção nos escritos do autor. Lembro de ter ficado horrorizada na primeira vez que li, já que agora foi uma releitura, e admito que a sensação da primeira vez continuou. Mesmo eu sabendo do desfecho da história, isso não mudou em nada a minha reação e experiência. E esse detalhe também é algo incrível na literatura do Poe, já que você pode ler e reler quantas vezes quiser e continuará tendo as mesmas emoções, ou às vezes até mais intensas.
Por mais que eu já conhecesse a história, eu não lembrava de todos os detalhes, então minha leitura foi maravilhosa e intrigante. Eu queria chegar logo no desfecho e sentir aquela sensação de espanto e loucura que o narrador nos passa. Eu li enquanto estava dentro do carro com os meus pais, e mesmo com a conversa paralela eu me mantive focada e conectada ao conto. É uma leitura que me agrada bastante e sempre me deixa mais apreensiva.
Para quem ainda não se aventurou nas histórias de horror e mistério de Edgar Allan Poe, deixo aqui O Gato Preto como uma ótima indicação por onde iniciar. Nesse conto o leitor consegue conhecer a escrita do autor e um pouco de como são suas narrativas. Para quem tiver curiosidade sobre, não perca tempo e se aventure nessa história. Talvez você começará a enxergar gatos pretos de uma forma meio peculiar.


Sobre o poema:
O meu primeiro contato com o Poe foi através desse poema, mas como já deve dar para imaginar eu não consegui entender 1% do que foi passado. Uma péssima maneira de começar a ler Poe, admito. Agora já com um pouco mais de experiência com a escrita do autor, eu me senti mais segura em tentar ler novamente um poema tão aclamado pelos fãs e críticos e tão reconhecido na literatura.
Essa minha segunda experiência foi muito melhor do que a primeira. Acredito que eu não tenha entendido o conto por completo e nem tenha tirado tudo que eu gostaria dessa leitura, porém, eu me senti muito conectada a esse poema e tive uma leitura maravilhosa.
Mesmo que eu não entenda muito sobre poemas e poesias, durante a leitura eu só conseguia imaginar o quanto aquele poema passava tanta emoção e era escrito de uma forma tão bonita. Eu pude sentir muito do Poe no eu-lírico e entender um pouco o porquê da grandiosidade desse poema. Foi uma leitura que me encheu de vontade e curiosidade para conhecer outros poemas, inclusive de outros autores, e me deixou com um olhar até mais crítico sobre esses escritos. Não é uma leitura que recomendo para os iniciantes da literatura do Poe, mas, é um poema que aconselho a todos a lerem, pelo menos em algum momento da sua vida.
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2 de junho de 2017

A Mulher-Maravilha que nós merecemos!

Reprodução: Google
"Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra."
Assista ao trailer
Olá leitores!
O primeiro filme da Mulher-Maravilha estreou ontem, dia 01 de junho, e já está dando frutos muito positivos. Grande parte das críticas (ainda não li nenhuma que fosse negativa) estão enaltecendo o longa e dizendo o quanto ele é importante, tanto para os fãs como até mesmo para a própria DC. Diferente de Esquadrão Suicida e Batman vs Superman que dividiram as opiniões, Mulher-Maravilha vem para agradar a todos e mostrar quem é que manda nesse universo.

No elenco temos a querida Gal Gadot no papel da Diana, o qual se encaixou perfeitamente; Chris Pine como Steve Trevor; Robin Wright como a maravilhosa Antíope; Connie Nielsen como a Rainha Hipólita; Danny Huston como General Ludendorff; Elena Anaya como Dra. Veneno; entre outros. 
As atuações estão muito boas, principalmente da Gal Gadot, que consegue nos passar através de sua expressão toda a surpresa que a Diana sente ao conhecer um lugar totalmente novo com costumes até então desconhecidos. Em alguns momentos você acaba por imaginar a própria Diana como alguém inocente, que está descobrindo as maldades do mundo só agora ao chegar em Londres e se deparar com uma guerra tão extensa e cheia de ódio. 
Os outros atores e atrizes não ficam para trás, mas entre os demais gostaria de destacar a atuação da Robin Wright, que me conquistou logo no começo. Assim como as outras Amazonas, sua personagem Antíope é uma mulher incrível e que luta de uma forma surpreendente, mas por ganhar um destaque acaba por receber um espaço maior em nossos corações. E temos que concordar que a atriz estava espetacular em seu papel, sendo a minha segunda Amazona preferida, logo depois da Diana.

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Em Mulher-Maravilha vamos conhecer a história de Diana, indo desde a época em que é uma criança até o momento em que se torna uma mulher. Ainda pequena vemos a vontade dela em se tornar uma guerreira e em aprender a lutar, porém, não recebendo a permissão da mãe para tal ato até concluir uma idade maior. Somos apresentados a uma parte de seu treinamento e sua evolução como guerreira, mas sabendo desde o início que ela tem um potencial ainda maior do que nós (e ela) imaginamos. Basta ela acreditar em si mesma (assim como todas nós devemos fazer!).

O filme não fica apenas nisso, já que vai mostrar o relacionamento entre a Diana e o Steve Trevor, e além disso, a descoberta de um mundo e pessoas novas. O longa mantém um clima sério ao mostrar a história da personagem e as consequências da guerra, mas abre espaço para um alívio cômico em algumas cenas, algo que se encaixou muito bem e deu certo. As cenas de ação são muito boas, passando aquela sensação de desespero e fazendo com que você fique apreensivo em determinados momentos. Outro ponto que também me chamou muito a atenção foi Themyscira, que é uma ilha extremamente bela. As paisagens e a fotografia do filme são lindas, me conquistando logo no primeiro minuto da história.

Eu já estava esperando muito por esse filme, tanto por causa das críticas que foram tão positivas como também por causa da personagem que é uma das minhas personagens femininas prediletas. Lembro de criar expectativa a partir do momento que saiu o primeiro trailer, porque antes disto eu não estava confiante com a atriz que interpretou a heroina. Como vem acontecendo bastante, dessa vez não foi diferente e eu acabei "pagando" pelo o que falei, tendo um resultado além do que esperava. 

O filme traz personagens fortes e donas de si, mostrando que ser mulher não é ser inferior. A Diana é uma personagem feminista e que passa a mensagem desse movimento de forma simples e concisa. As Amazonas são outro exemplo do feminismo e ter isso em um filme de super heróis é incrível, porque é uma mensagem que será passada para as novas gerações. Sei que a Mulher-Maravilha e as Amazonas são assim nos quadrinhos, porém, nem todas as meninas têm oportunidades de ler HQ's quando menores, então o filme vem para trazer esse girl power de uma maneira divertida e apaixonante. Acredito, e espero, que através desse filme muitas garotas se sentirão mais empoderadas e acreditarão mais em si mesmas, tendo orgulho do que são. Espero que esse filme alcance todas essas meninas e desperte em cada uma a sua própria Mulher-Maravilha.

Reprodução: Google
O que eu não gostei?
Por mais que o início seja focado em Themyscira, admito que queria um espaço maior para as cenas que ocorrem lá. O tempo não é pouco, é até uma duração boa de cena e acredito que é o bastante para conhecermos um pouco sobre o lugar e sobre aquelas mulheres que vivem ali. Porém, Themyscira é um lugar tão bonito e repleto de mulheres tão maravilhosas, que eu queria ficar ali para sempre. Queria conhecer mais sobre elas, sobre a sua cultura e sobre os treinamentos.

No geral, eu gostei muito do filme. Eu sai muito satisfeita do cinema e realmente feliz com o que havia assistido. Alguns efeitos não me agradaram tanto assim, mas visualmente o filme é tão bonito e tão cheio de emoção, que aqueles pequenos detalhes não importaram. Chego a arriscar em dizer que Mulher-Maravilha foi, talvez, a melhor estreia que conferi em 2017 (concorrendo fortemente ao lado de Logan). Eu sai com o coração quentinho e preciso dizer que o hype é sim verdadeiro! E que o filme cumpre com o que promete, e ainda vai muito além.
Como estão as expectativas de vocês para Mulher-Maravilha? Já foram ver o filme? Gostaram? Eu sai em estado de êxtase do cinema e já estou com muita vontade de revê-lo. Vamos conversar e trocar opiniões! Um beijo e até a próxima.